quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Capítulo 04

A conversa dos dois seguiu em frente por horas, a cada nova mensagem que apitava no APP de Raul, mais vontade de conhecer o Rafael ele tinha.

Rafael – Agora está melhor.
Raul – Lhe sinto mais. Como se você existisse.
Rafael – Claro que existo. Que tal me conhecer?
Raul – Bora!
Rafael – O que achas de irmos tomar um sorvete ali no Bella Romana?
Raul – Claro! Será um grande prazer!

O convite estava feito e marcado, iria acontecer na terça - feira ás 18h00min. Após toda aquela conversa, Raul não conseguia parar de pensar no encontro dos dois. Mas ele não imaginava o que iria acontecer naquela sorveteria, por mais que pudesse imaginar e criar expectativas. O que verdadeiramente iria acontecer não era nada do que se passava em sua mente...

Estava um calor infernal naquela tarde de terça - feira, em um dia típico de verão, em Fevereiro. O Raul não se aguentava de ansiedade e chegou na Sorveteria Bella Romana ás 17:30, sentou-se em uma das mesinhas, na calçada da rua Independência. Solicitou ao garçom um sorvete de ameixa com iogurte, acompanhado de um copo de água com gás.
Sentado ele observada as pessoas andando na rua, com sacolas de compras, em um corre - corre de final de dia. Ele podia sentir o suor escorrendo em sua testa e olhando para o céu azul com um grande e belo sol, ele pensou em sua vida, em toda a situação de conhecer um estranho, de querer tanto conhecer alguém que nunca viu, do perigo de conhecer alguém que trocou algumas palavras pela internet.
As horas passaram lentamente, mas já eram 18h10min, e nada do Rafael aparecer. Raul olhava todo momento o celular, foi quando apareceu uma mensagem, no Whats...

Rafael – Cara. Eu lhe vi ai sentado.
Raul – Aonde tu estas?
Rafael – Estou indo ao teu encontro!

O coração de Raul disparou, parecia que iria sair pela boca... Quando alguém colocou a mão sobre seu ombro e ao virar-se, era o Rafael.

Rafael – E ai, cara. Beleza?
Raul – Oi, tudo bem e com você? Achei que não viria mais!
Rafael – Estou ótimo. O importante é que estou aqui.

Rafael tinha a pele branca, olhos castanhos escuros e estatura mediana. Estava vestindo uma calça Jeans escura, uma camisa com o rosto da cantora Marilyn Monroe, e usava um tênis preto. Ele sentou-se e tirou os óculos Rayban.

Rafael – Cara. Atrasei-me. Meu coroa pegou um transito.
Raul – Ele trouxe você?
Rafael – Sim, eu iria vir de Ônibus, mas ele insistiu.
Raul – Vamos pediu um sorvete?
Rafael- Na verdade eu queria beber uma Skol beats. Hehe
Raul – O que é isso?
Rafael – Você nunca bebeu aquela cerveja com a garrafa azul?
Raul – Nunca. Somente vi.
Rafael – Vamos tomar um sorvete e depois beber uma beats, então.

Então Rafael, chamou o garçom...

Rafael – Queremos duas taças, com duas bolas de sorvete.  Eu vou querer um sorvete de ameixa com iogurte. E Você, Raul?
Raul – Este é meu sorvete predileto. Quero o mesmo!
Rafael – Cara, eu amo esse sorvete. Muito melhor do que o da maquina ou do Mec donalds.

Enquanto eles tomavam o sorvete, Rafael a todo o momento cutucava Raul, com suas pernas. Raul não podia acreditar que estava conhecendo um cara tão bonito e que gostava do mesmo sabor de sorvete que ele.

Raul – Uma vez, aqui no Bella Romana. Logo, que vim de Uruguaiana, provei um sorvete de Rosas. Aqui. Acreditas?
Rafael – Sim! Eu e o Fábio depois da aula sempre vínhamos aqui. Eu amava esse sorvete, O de Ameixa tem um gosto parecido.

Após a conversa do sorvete os dois ficaram meio que sem assunto, apenas nas cutucadas de Rafael, nas trocas de olhares de Raul. Que escondia seu sorriso. Enquanto Raul distraia-se olhando os carros passar, Rafael levantou-se e saiu da mesa.
Quando ele sentiu a falta de Rafael já era tarde, ele havia sumido, levantou-se da mesa e perguntou ao garçom se não havia visto o cara que estava sentado com ele. Sem obter sucesso, Raul pagou a conta e já estava saindo do caixa, quando foi surpreendido por um beijo na testa. Era Rafael, ele deu um beijo na testa e pegou em sua mão, dizendo...

Rafael – Vamos, Vamos!

Todos na sorveteria ficaram chocados com o “beijo na testa”.
Os dois saíram em disparada pela Rua Independência, de mãos dadas. O Rafael corria sem parrar e não parava de rir. Ele correu até chegar à esquina da escola Visconde. Jogou-se na escadaria da escola e não parava de rir.

Raul – Bah! Você esta louco?
Rafael – Ainda não, mas acho que alguém vai me deixar louco.
Raul – Qual a graça?
Rafael – A tua cara! Corre, corre vamos ir até a Praça dos Correios!

Em uma nova corrida sobre as ruas do centro da cidade de São Leopoldo, Rafael corria em disparada até a praça. Ao chegar, na praça, atirou-se sobre a grama e abriu os braços.

Raul – Meu! Estou sem entender nada.

Sem que Rafael respondesse a pergunta, Raul jogou seu corpo sobre o de Rafael e ali na grama deu o primeiro beijo. Foi um beijo longo, e Rafael podia sentir o calor do corpo de Raul e as batidas do seu coração.

Rafael – O que achou?
Raul – Achei que você é louco. Todo mundo ficou chocado lá na sorveteria.
Rafael – Eles são uns idiotas.
Raul – E se algum conhecido tiver visto o beijo na testa?
Rafael – Essa é a graça o perigo, e se alguém viu? E se contar para meu pai? E se eu apanhar? E se meu pai quiser me matar. Já pensou se meu pai descobre que sou uma bichinha? HAHAHAHA

O perigo dominava Rafael, ele sabia que corria risco até de vida. Seu pai era um machão. Mas aquilo de viver perigosamente, viver o proibido o excitava.

Na cabeça de Raul, tudo aquilo era perfeito, o perigo o excitava também, viver um amor perigoso. Parecia tudo um sonho, como nos filmes da Disney que ele assistia. Os dois correndo nas ruas da independência, perigosamente apaixonados.


Continua... 


Uma História escrita por: Ruan Carlos Sansone
"Esta é uma obra baseada na livre criação artística e sem compromisso com a realidade"

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